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A HISTÓRIA DO IHC

O Instituto na verdade constituído em 17 de maio de l941, às 15h00min horas na Rua três de Dezembro, 48, 6º andar sala 11, na cidade de São Paulo, por uma comissão formada por membros da Loja Maçonica Capital, Comércio e Ciências, integrada pelos Senhores: Abrahão Figali, Itaiuty Carneiro Magalhães, Mario Câmara, João de Toledo Salles e Capitão Andrade Serpa Sobrinho.

A idéia inicial era fundar um orfanato destinado a amparar e educar os órfãos necessitados, notadamente os filhos dos ferroviários. Nessa mesma reunião, foi proposto e aprovado por unanimidade que o Orfanato receberia o nome de HUMBERTO DE CAMPOS. O porquê dessa denominação: não tão somente pelo venerável nome, popular em todas as camadas do Brasil, que representava uma bandeira vitoriosa, portanto indicio de grandes possibilidades para a campanha, como ainda porque consagração maior não poderia almejar, do que servir seu nome como patrono de um orfanato. De fato, ele que fora o contista dos humildes, o escritor dos desesperados, dos carentes de corpo e de espírito de toda ordem, sempre teve como impulso gerador de suas obras literárias um grande e intenso carinho humano pelos sofredores. Consumado o ato, os fundadores efetuaram vários tipos de campanhas, para angariar recursos, contando com ajuda dos ferroviários do estado, nas cidades que recebia os serviços da Ferrovia.

O Presidente da Ferrovia, sensibilizado aprovou a proposta da constituição do orfanato, bem como várias empresas se dispuseram a ofertar terrenos para que a sede fosse edificada. A divulgação da empreitada foi feita pela então Rádio Piratininga e pelo jornal Folha Acadêmica de São Paulo, que anunciaram a venda dos bilhetes da tômbola, cujo prêmio era um automóvel Ford, modelo 1941. O sorteio foi realizado no dia 7 de dezembro, no saguão da ferrovia em São Paulo.

Em 01/02/1942, na Estação de Mailasky da Estrada de Ferro Sorocabana, município de São Roque, foi lançada a pedra fundamental da construção do orfanato, pelo então presidente da Ferrovia. Em 28 de novembro de 1948, a diretoria do Orfanato, propõe a Estrada de Ferro Sorocabana, que ao invés de São Roque, fosse edificado em Sorocaba o que foi feito e em conseqüência, cedeu um terreno de 99.694 m2, no distrito de Nossa Senhora da Ponte, onde hoje está a sede do Instituto. Desnecessário registrar que a participação da ferrovia na construção e manutenção da edificação, foi decisiva, bem como foi autorizado o desconto em folha de pagamento dos funcionários, para aqueles que quiseram construir com o Orfanato. Finalmente, em 01 de maio de 1952, foram inaugurados dois pavilhões dormitórios, que foram denominados: Adhemar de Barros e Dr. Lucas Nogueira Garcez, com capacidade para abrigar 50 órfãos por pavilhão. Em 07 de junho de 1952, iniciaram-se os trabalhos do ORFANATO HUMBERTO DE CAMPOS, Na ocasião discursaram os Srs. Mario Câmara, presidente do Orfanato, que convidou o então governado Dr. Lucas Garcez a descerrar ao Pavilhão Nacional.

Estiveram na solenidade de inauguração, várias personalidades, destacamos a presença do Presidente da Estrada de Ferro Sorocabana, Dr. Durval Muylaert, o Prefeito Municipal de Sorocaba, além de Ministros e Secretários de Governo do Estado. Na manchete do Jornal CRUZEIRO DO SUL, foi estampando:

“DAR-SE HOJE A INAUGURAÇÃO DO MAGNÍFICO ORFANATO HUMBERTO DE CAMPOS”. Em 04/12/1952, para atender a Lei Estadual nº 1943, do Governo do Estado, o Orfanato passou a chamar-se INSTITUTO HUMBERTO DE CAMPOS.
No Principio o Instituto tinha como proposta atender 80% de filhos de empregados da Estrada de Ferro e da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e 20% a critério da diretoria, isso para que a entidade pudesse ter direito a subvenção extraordinária do governo federal. O Instituto atendia como internos cerca de 500 crianças e adolescentes, de ambos os sexos, bem como funcionava o Grupo Escolar Rural Humberto de Campos, onde existia o jardim de infância para as crianças de 4 a 6 anos e o curso primário para os de 7 a 10 anos, sendo seu primeiro diretor o
Professor Genésio Flores. Em 1972, o Instituto passou a internar apenas órfãos do sexo masculino. A partir de 13/07/ 1990, com a aprovação da Lei nº 8.069, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Menor Adolescente, deixa de internar as crianças e firma convênio com a Prefeitura Municipal, passando a atender em regime de externato.

Hoje o Instituto, atende cerca de 160 crianças e adolescentes, todos carentes, compreendidos na faixa etária de 05 a 17 anos, complementando os estudos fundamental e médio e com atividades culturais/recreativas, como teatro, balé, sala de filmoteca, brinquedoteca, ginástica artística, coral, informática, futebol de salão etc.

HUMBERTO DE CAMPOS

Município de Sorocaba, SP

Linha-tronca – km 97,717 (1931)             SP-0291

Inauguração: 03.1925

Uso atual: demolida / com trilhos

Data de construção do prédio atual: 1926 (já demolido)

HISTORICO DA LINHA: A E. F. Sorocabana foi fundada em 1872, e o primeiro trecho da linha foi aberto em 1875, até Sorocaba. A linha-tronco se expandiu até 1922, quando atingiu Presidente Epitácio, nas margens do rio Paraná. Antes, porém, a EFS construiu vários ramais, e passou por trocas de donos e fusões: em 1892, foi fundida pelo Governo com a Ytuana, na época à beira da falência. Em 1903, o Governo Federal assumiu a ferrovia, vendida para o Governo paulista em 1905. Este a arrendou em 1907 para o grupo de Percival Farquhar, desaparecendo a Ytuana de vez, com suas linhas incorporadas pela EFS. Em 1919, o Governo paulista voltou a ser o dono, por causa da situação precária do grupo detentor. Assim foi até 1971, quando a EFS foi uma das ferrovias que formaram a estatal FEPASA. O seu trecho inicial, primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno, desde os anos 20 passaram a atender principalmente os trens de subúrbio. Com o surgimento da CPTM, em 1994, esse trecho passou a ser administrado por ela. Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco até 16/1/1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa. A linha está ativa até hoje, para trens de carga.

A ESTAÇÃO: A estação foi inaugurada em 1925 como posto km 101. O prédio, entretanto, somente foi entregue em 1926. Em 1927 passou a ser o posto km 98, com a redução de quilometragem provocado pela retificação e duplicação da linha. Em 1932, passou a se chamar Iporanga, e mais tarde Humberto de Campos. Mais tarde, a Sorocabana envolveu-se no projeto de um orfanato patrocinado por uma loja maçônica de Sorocaba, tendo doado em 1944 uma área de 99.000 m2 de seu patrimônio, mas do outro lado da cidade em relação à estação, segundo conta Elias Vieira. Com as plantas das edificações elaboradas por seus engenheiros A Sorocabana cedeu pessoal, plantas do projeto e material para as obras e também um desvio da linha para carga e descarga. Inaugurado em 1952, o Orfanato, depois Instituto Humberto de Campos tinha 80% de seus lugares destinado a órfãos de ferroviários da ativa e da Caixa de Pensões, cujas contribuições começaram com desconto em folha a partir de 1945. Representantes da Sorocabana também participavam do Conselho Fiscal. Curiosamente, existem listagens de estações emitidas pela própria Sorocabana que mostram uma parada Humberto de Campos após a estação de Sorocaba, antes de Lopes de Oliveira, na época em que existia o instituto. Também há evidências de uma parada ali perto, junto à fábrica da Seagrams, que teria o nome de “Parada Seagrams” ou algo parecido. Enfim, uma bela confusão. A estação foi desativada antes dos anos 70 e posteriormente demolida. Segundo Antonio Carreão, atualmente (2006) ainda existem restos das suas fundações escondidos pelo mato. Ferroviários mais antigos afirmam que existia um prédio ali, realmente, mas que nele o trem raramente parava. Já Alberto G. Neto fala que não havia prédio algum e que era uma parada simples com uma plataforma feita de trilhos e dormentes e que ficava depois de Sorocaba e não antes. Enfim: muito confuso. Parece ter existido duas paradas com o mesmo nome em posições diferentes em relação à estação central de Sorocaba: uma antes e outra depois, em épocas diferentes.

(Fontes: Coaraci Camargo; Carlos R. Almeida; Antonio)